quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nas vielas

A flor que plantou em meu peito se foi.
Oração do seu jeito.
Sem cor nem perfume perfeito.
Sem dor de cantar em seu leito.


O céu se fechou em meu pranto.

Cantor de desenganos.

Leve, ando num coração,
Cavalgando sendas indomáveis.
Ritmando meu balanço
num descanço inesperado.

Hoje vivo meus botões:
Lhes confesso meu fracasso!
Prefiro cem corações partidos
do que ser um vencedor de desencanto.

O poeta é perdedor.
Quando errar, terá vencido.
Ou cedido pelo cançasso.


O canto do derrotado
cria o sol e a lua,
a lágrima e a rua,
a esfinge do pecado,
o recado veloz,
o atroz panteísta sufocado
pelos sonhos de espinho,
longe da sabedoria de seu mais íntimo oráculo:
A sinfonia dos avós.

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