sábado, 15 de maio de 2010

Deserto e ágil

Queres então voltar pra teu deserto?
Não sou ágil, tenho de me esperar a mim mesmo. Fica cada vez mais tarde até que a água do poço de meu eu suba até a luz e, muitas vezes tenho que passar fome por mais tempo que minha paciência suporta. É por isso que vou para a solidão: para nao beber das sisternas que estão dispostas para todos. No meio da multidão vivo como a multidão e não penso como penso; depois de certo tempo, tenho sempre a impressão de que querem me exilar em mim mesmo e roubar-me a alma; passo a me tornar mau para todos e a temer a todos. Tenho então a necessidade do deserto para voltar a ser bom.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Teuth

Os poucos que conseguem
muito sabem o que é a dor
das montanhas ao sudoeste
que emanam sonhos inefáveis.

Beleza

“A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez, que não se vale de assaltos tempestuosos e embriagantes (uma beleza assim desperta facilmente o nojo), mas que lentamente se infiltra, que levamos conosco quase sem perceber e deparamos novamente num sonho, e que afinal, após ter longamente ocupado um lugar modesto em nosso coração, se apodera completamente de nós, enchendo-nos os olhos de lágrimas e o coração de ânsias."(Nietzsche)
A beleza é muito mais espírito que paixão.
O caminho é a beleza inebriante que lentamente conquista o espírito e sem paixões devastadoras, vai preenchendo o ser de doçura, ate cativá-lo profundamente.
A beleza arrebatadora, que com seu fogo, consome a alma, também lhe tira a paz do espírito.
Eu sou o sol,
Eu sou o caminho,
Eu sou o núcleo,
A força de todo esse sistema planetário.

Eu sou o sol,
Sou luz que emana da inteligência, da bondade e do amor.

E que às vezes a impureza dos espíritos me dificultam,
Criando uma densa camada de neblina como no amanhecer de um dia frio e triste.

Às vezes os homens me decepcionam, e às vezes até me ofendem.

E porque me ofendem ?
Por acaso fui eu quem destruiu suas ilusões ?
Porque me mágoas destruindo meu jardim ?
Por acaso minhas flores serão mais belas dos que as que você poderá cultivar se quiser ?
Porque você quer destruir as minhas árvores ?
Por acaso não permito que você desfrute de suas sombras e seus frutos ?
Porque você quer destruir os sentimentos e a pureza das minhas crianças ?
Será pelo fato de ser pesado o seu fardo nesta vida ?
Ou será uma sórdida vingança por terem destruido sua pureza e seus sentimentos ?
Porque você quer destruir a fé que guia os meus irmãos ?
Não será o seu deus o mesmo que o meu ?
Porque você quer extinguir os meus pássaros ?
Por acaso lhe foi negado um dia poder voar ?

Não, nada lhê foi negado. Tudo lhe foi dado.

Não destrua suas próprias ilusões,
E plante flores, árvores,
Para que seus amigos sintam o aroma,
E descansem a sua sombra.

Ame seus filhos como foi amado.

Toque com a ponta dos dedos o seu deus e vôe,
Vôe bem alto, o mais alto que puder,
Usando sua força criativa,
Porque das forças criativas nasce o nosso saber,
Do nosso saber nasse o nosso prazer.

Meu prazer é ver crianças sorrindo,
Meu prazer é ver mãos se abrindo.

E é por isso que eu faço força pra acreditar:
Que o homem um dia vai evoluir pra poder amar
E amar muito mais pra poder evoluir...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Corte

Eu preciso me libertar
Desse aperto guardado no peito
Eu preciso de um pesadelo
Que me mostre o caminho do mar
Que me ponha as portas abertas
Para o medo me libertar

Eu só quero sair dessas cores
Da incerteza de velhos amores
Desse quadro que me aprisiona
Da cantiga que desfaz meu sono

Eu so quero um reio de sol
Um solfejo em mí bemol
As verdades de meus ancestrais
Os sorrisos de todos os pais

Da beleza, da dança e da flor
Da clareza do ancião
Do riacho e de sua conversa
Da montanha amante do mar

As perguntas que não tenho mais
Me devoram em busca de paz
Das estórias de lágrima e anzol
Do sereno lençol de cambraia
Do abraço da beira da praia
De meu forte ja dilaçerado
Das intrigas sem cores anis
Dos embróglios de meus alfarrábios
E beijar os meus próprios lábios

Ver cor, ver vidas
Ver som, ver idas
Viver as vindas sem corte e dor

Coração de cristal
De pétalas, de orvalho.