quarta-feira, 5 de maio de 2010

Corte

Eu preciso me libertar
Desse aperto guardado no peito
Eu preciso de um pesadelo
Que me mostre o caminho do mar
Que me ponha as portas abertas
Para o medo me libertar

Eu só quero sair dessas cores
Da incerteza de velhos amores
Desse quadro que me aprisiona
Da cantiga que desfaz meu sono

Eu so quero um reio de sol
Um solfejo em mí bemol
As verdades de meus ancestrais
Os sorrisos de todos os pais

Da beleza, da dança e da flor
Da clareza do ancião
Do riacho e de sua conversa
Da montanha amante do mar

As perguntas que não tenho mais
Me devoram em busca de paz
Das estórias de lágrima e anzol
Do sereno lençol de cambraia
Do abraço da beira da praia
De meu forte ja dilaçerado
Das intrigas sem cores anis
Dos embróglios de meus alfarrábios
E beijar os meus próprios lábios

Ver cor, ver vidas
Ver som, ver idas
Viver as vindas sem corte e dor

Coração de cristal
De pétalas, de orvalho.

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