terça-feira, 19 de outubro de 2010

A musica mais bela

Meu sorriso escondido
Trazes em ciclos
nas flores e resquícios,
tornando-me pássaro.

Um batom em sol menor
fez da lua meu descanso precioso
sob a música do tempo.

O "cavaleiro do medo" bailou em seu traçado.
Mas és a pastora do tempo de meu amor intocável.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sendo sentido

Sem mente, sem eu,
sem ago, sem norma,
sem forma,
sem moral, sem patrão,
sem uniforme, poliforme,
sem diretor nem juiz,
sem peias, sem teias,
sem algema, sem mágoa,
sem tese, sem correntes, sem fronteiras, sem bandeiras nem partidos,
sendo e sentindo.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Hospício

Nós precisamos entrar num acordo
Chega de brigar
Porque do jeito que as coisas vão indo
A vida não dá
Alguma coisa terá que ser feita
Para o bem de nós dois
Se não agente ainda acaba num hospício
E nossos filhos vão depois
A cada dia que passa eu me agarro
Naquela ilusão
De que um dia possamos sair
Dessa vida de cão
Vamos parar com essa guerra que aos poucos
Tá matando nós dois
Se não agente ainda acaba num hospício
E nossos filhos vão depois.


(Amado Batista)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Se o código penal proíbe o suicídio, essa proibição é ridícula.
Pois o que poderia amedrontar um homem que não teme a própria morte?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ausência

Tu lembras a rua estreita estrada tão antiga
e eu mostrava a ti uma cantiga
Uma cantiga antiga do lugar
Na rua, na paz da lua o som não se fazia
e sem querer então eu esquecia
Que já não temos tempo pra sonhar

Sorrias e a tua voz a cada instante amiga
a um só tempo em um abraço estreito
Fazia à vida, um violão, um jeito
de se fazer amar

Sorrias e a tua voz estranha estrada antiga
perdeu-se ao longe na partida
E não ficou ninguém no seu lugar
(Ednardo-CE)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sempre que esquecer dos fatos
basta ler seus devaneios.
Por vezes esteve alegre:
a vontade culpada pela vontade alegre,
re-escrevendo seus sonhos como plumas e desencontros joviais.

A letra de si mesmo
não era tão tardia como agora.

Mas o eco de seus lamentos
até hoje pode ser ouvido através da cortina.

Da verdade de seus ritos
pouco sabiam.

Velada pela incerteza do segundo seguinte.

Os olhos virgens de seus desejos
fluiam pelos lábios de outrora.

Ah!
Seus pecados se perdiam
no ceticismo de seus próprios hecatombes.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Carta III

" A maior precaução será não escrever, mas aprender de cor, pois é impossível que os escritos não acabem por cair no domínio público. Por isso, para a posteridade, eu mesmo não escreví sobre tais questões. Adeus e obedece-me: tão logo tenha lido e relido esta carta, queime-a."
(Platão, Carta III.)