***
A morte vive todo dia.
Ou quase todo dia.
***
O sorriso das crianças ilumina os dias.
***
A vida vive toda noite.
***
A música é a vingança dos traumas joviais.
***
Não sou filho da pólis
nem do logos
nem da psiquê.
Sou filho do inesperado.
***
A verdade é nada mais do que a versão do perdedor.
Então seria o vencedor uma ilusão?
***
O amor é uma neurotoxina:
Pode danificar irremediavelmente o sistema nervoso central
se deixar de ser correspondido.
***
Não quero mais olhar
com seus olhos de gêlo.
***
Eu estive em todos os lugares
e não consegui me encontrar nem em mim mesmo.
***
É hora de celebrar a morte da dor:
devo um galo a Esculápio.
***
Nem sempre é necessário apequenar-se para engrandecer-se.
Mas é necessário engrandecer-se para apequenar-se grandiosamente.
***
Cada dia sendo mais hoje do que ontem.
Mais agora do que amanhã.
***
Amor, beleza, morte e verdade: sinônimos inseparáveis.
***
O do alto busca seu vizinho para perder-se de si.
O do baixo para se encontrar.
O vizinho segue sendo apenas ele:
sem se perder nem se achar.
***
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Nas vielas
A flor que plantou em meu peito se foi.
Oração do seu jeito.
Sem cor nem perfume perfeito.
Sem dor de cantar em seu leito.
O céu se fechou em meu pranto.
Cantor de desenganos.
Leve, ando num coração,
Cavalgando sendas indomáveis.
Ritmando meu balanço
num descanço inesperado.
Hoje vivo meus botões:
Lhes confesso meu fracasso!
Prefiro cem corações partidos
do que ser um vencedor de desencanto.
O poeta é perdedor.
Quando errar, terá vencido.
Ou cedido pelo cançasso.
O canto do derrotado
cria o sol e a lua,
a lágrima e a rua,
a esfinge do pecado,
o recado veloz,
o atroz panteísta sufocado
pelos sonhos de espinho,
longe da sabedoria de seu mais íntimo oráculo:
A sinfonia dos avós.
Oração do seu jeito.
Sem cor nem perfume perfeito.
Sem dor de cantar em seu leito.
O céu se fechou em meu pranto.
Cantor de desenganos.
Leve, ando num coração,
Cavalgando sendas indomáveis.
Ritmando meu balanço
num descanço inesperado.
Hoje vivo meus botões:
Lhes confesso meu fracasso!
Prefiro cem corações partidos
do que ser um vencedor de desencanto.
O poeta é perdedor.
Quando errar, terá vencido.
Ou cedido pelo cançasso.
O canto do derrotado
cria o sol e a lua,
a lágrima e a rua,
a esfinge do pecado,
o recado veloz,
o atroz panteísta sufocado
pelos sonhos de espinho,
longe da sabedoria de seu mais íntimo oráculo:
A sinfonia dos avós.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
A musica mais bela
Meu sorriso escondido
Trazes em ciclos
nas flores e resquícios,
tornando-me pássaro.
Um batom em sol menor
fez da lua meu descanso precioso
sob a música do tempo.
O "cavaleiro do medo" bailou em seu traçado.
Mas és a pastora do tempo de meu amor intocável.
Trazes em ciclos
nas flores e resquícios,
tornando-me pássaro.
Um batom em sol menor
fez da lua meu descanso precioso
sob a música do tempo.
O "cavaleiro do medo" bailou em seu traçado.
Mas és a pastora do tempo de meu amor intocável.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Sendo sentido
Sem mente, sem eu,
sem ago, sem norma,
sem forma,
sem moral, sem patrão,
sem uniforme, poliforme,
sem diretor nem juiz,
sem peias, sem teias,
sem algema, sem mágoa,
sem tese, sem correntes, sem fronteiras, sem bandeiras nem partidos,
sendo e sentindo.
sem ago, sem norma,
sem forma,
sem moral, sem patrão,
sem uniforme, poliforme,
sem diretor nem juiz,
sem peias, sem teias,
sem algema, sem mágoa,
sem tese, sem correntes, sem fronteiras, sem bandeiras nem partidos,
sendo e sentindo.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Hospício
Nós precisamos entrar num acordo
Chega de brigar
Porque do jeito que as coisas vão indo
A vida não dá
Alguma coisa terá que ser feita
Para o bem de nós dois
Se não agente ainda acaba num hospício
E nossos filhos vão depois
A cada dia que passa eu me agarro
Naquela ilusão
De que um dia possamos sair
Dessa vida de cão
Vamos parar com essa guerra que aos poucos
Tá matando nós dois
Se não agente ainda acaba num hospício
E nossos filhos vão depois.
(Amado Batista)
Chega de brigar
Porque do jeito que as coisas vão indo
A vida não dá
Alguma coisa terá que ser feita
Para o bem de nós dois
Se não agente ainda acaba num hospício
E nossos filhos vão depois
A cada dia que passa eu me agarro
Naquela ilusão
De que um dia possamos sair
Dessa vida de cão
Vamos parar com essa guerra que aos poucos
Tá matando nós dois
Se não agente ainda acaba num hospício
E nossos filhos vão depois.
(Amado Batista)
terça-feira, 21 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Ausência
Tu lembras a rua estreita estrada tão antiga
e eu mostrava a ti uma cantiga
Uma cantiga antiga do lugar
Na rua, na paz da lua o som não se fazia
e sem querer então eu esquecia
Que já não temos tempo pra sonhar
Sorrias e a tua voz a cada instante amiga
a um só tempo em um abraço estreito
Fazia à vida, um violão, um jeito
de se fazer amar
Sorrias e a tua voz estranha estrada antiga
perdeu-se ao longe na partida
E não ficou ninguém no seu lugar
(Ednardo-CE)
e eu mostrava a ti uma cantiga
Uma cantiga antiga do lugar
Na rua, na paz da lua o som não se fazia
e sem querer então eu esquecia
Que já não temos tempo pra sonhar
Sorrias e a tua voz a cada instante amiga
a um só tempo em um abraço estreito
Fazia à vida, um violão, um jeito
de se fazer amar
Sorrias e a tua voz estranha estrada antiga
perdeu-se ao longe na partida
E não ficou ninguém no seu lugar
(Ednardo-CE)
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Sempre que esquecer dos fatos
basta ler seus devaneios.
Por vezes esteve alegre:
a vontade culpada pela vontade alegre,
re-escrevendo seus sonhos como plumas e desencontros joviais.
A letra de si mesmo
não era tão tardia como agora.
Mas o eco de seus lamentos
até hoje pode ser ouvido através da cortina.
Da verdade de seus ritos
pouco sabiam.
Velada pela incerteza do segundo seguinte.
Os olhos virgens de seus desejos
fluiam pelos lábios de outrora.
Ah!
Seus pecados se perdiam
no ceticismo de seus próprios hecatombes.
basta ler seus devaneios.
Por vezes esteve alegre:
a vontade culpada pela vontade alegre,
re-escrevendo seus sonhos como plumas e desencontros joviais.
A letra de si mesmo
não era tão tardia como agora.
Mas o eco de seus lamentos
até hoje pode ser ouvido através da cortina.
Da verdade de seus ritos
pouco sabiam.
Velada pela incerteza do segundo seguinte.
Os olhos virgens de seus desejos
fluiam pelos lábios de outrora.
Ah!
Seus pecados se perdiam
no ceticismo de seus próprios hecatombes.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Carta III
" A maior precaução será não escrever, mas aprender de cor, pois é impossível que os escritos não acabem por cair no domínio público. Por isso, para a posteridade, eu mesmo não escreví sobre tais questões. Adeus e obedece-me: tão logo tenha lido e relido esta carta, queime-a."
(Platão, Carta III.)
(Platão, Carta III.)
Objeto amor
Amor!
Amar!
Amante!
Amado!
O amado!
Antes que o objeto amor
mate no amante
o objeto amado.
(1997)
Amar!
Amante!
Amado!
O amado!
Antes que o objeto amor
mate no amante
o objeto amado.
(1997)
Nova casa
Minha casinha nova
Minha nova casinha
Uma linda casa nova
A casinha que vê o mar
tem mangueira e araçá.
Hoje cheguei nela.
Tem muitas janelas
e um lindo pomar.
(1987)
Minha nova casinha
Uma linda casa nova
A casinha que vê o mar
tem mangueira e araçá.
Hoje cheguei nela.
Tem muitas janelas
e um lindo pomar.
(1987)
Cordas de Mim
Quando as amarras estouram
O inconsciente vai por água abaixo
Os pequenos bentivís puderam me contar.
A corda era longa,
abraçava dias, lugares,
olhares póstumos,
malabares de amores em mutação.
Brilhava sob febris sensações.
Quando as amarras estourarem
seus ritos fugirão de seu percurso.
O mais sutil recurso de alcançá-los
voará nas asas dos grandes bentivís.
Levará as cordas para lugares longínquos,
de acesso proibido.
Apenas para loucos e poucos.
Os viventes do sonho dos sonhos.
Levará povos e bandeiras,
reinos e fronteiras
para o inalcançável.
(verão 1990)
O inconsciente vai por água abaixo
Os pequenos bentivís puderam me contar.
A corda era longa,
abraçava dias, lugares,
olhares póstumos,
malabares de amores em mutação.
Brilhava sob febris sensações.
Quando as amarras estourarem
seus ritos fugirão de seu percurso.
O mais sutil recurso de alcançá-los
voará nas asas dos grandes bentivís.
Levará as cordas para lugares longínquos,
de acesso proibido.
Apenas para loucos e poucos.
Os viventes do sonho dos sonhos.
Levará povos e bandeiras,
reinos e fronteiras
para o inalcançável.
(verão 1990)
Homem Feito
Sou homem feito:
Feito de meu afeto,
do barro e do carvão,
de meu peito aberto...
Homem do coração,
coração de menino,
esperto e ladino.
Distante da moda da multidão.
Hoje sou homem feito
que não quer mais crescer.
Sou criança grande
Fantasiada de adulto.
Faço o que fazem os homens:
trabalham e trabalham.
Mas canso de trabalhar
e bebo a arte do orvalho.
Sou homem como meu pai
Que será também meu filho.
E meu pai duplamente
na imagem de menino.
Um dia serei avô
e duas vezes pai.
Estarei pronto
para não mais ser homem.
Serei apenas o som das cinzas
de quem um dia foi:
homem feito.
(primavera de 1989)
Feito de meu afeto,
do barro e do carvão,
de meu peito aberto...
Homem do coração,
coração de menino,
esperto e ladino.
Distante da moda da multidão.
Hoje sou homem feito
que não quer mais crescer.
Sou criança grande
Fantasiada de adulto.
Faço o que fazem os homens:
trabalham e trabalham.
Mas canso de trabalhar
e bebo a arte do orvalho.
Sou homem como meu pai
Que será também meu filho.
E meu pai duplamente
na imagem de menino.
Um dia serei avô
e duas vezes pai.
Estarei pronto
para não mais ser homem.
Serei apenas o som das cinzas
de quem um dia foi:
homem feito.
(primavera de 1989)
Similares em potência
O raso pode ser largo
como o fundo pode ser curto.
Agora pode ser muito
como o século pode ser pouco.
O sol pode ser fraco
e a luz pode ser pouca.
A ave pode estar morta
mas o vôo há de ser único.
O mar pode ser longe
e o cangaço, um pulo.
O amor pode ser morto
O amante pode ser todo.
O beijo pode ser doce
e o abraço pode ser tolo.
O lar pode ser mole
mas a cama pode ser dura.
O único pode ser um só.
O múltiplo pode ser o outro.
A saudade pode ser grande
Mas a mágoa pode ser tudo.
(Inverno de 1998)
como o fundo pode ser curto.
Agora pode ser muito
como o século pode ser pouco.
O sol pode ser fraco
e a luz pode ser pouca.
A ave pode estar morta
mas o vôo há de ser único.
O mar pode ser longe
e o cangaço, um pulo.
O amor pode ser morto
O amante pode ser todo.
O beijo pode ser doce
e o abraço pode ser tolo.
O lar pode ser mole
mas a cama pode ser dura.
O único pode ser um só.
O múltiplo pode ser o outro.
A saudade pode ser grande
Mas a mágoa pode ser tudo.
(Inverno de 1998)
Mil anos
Se o dia nascer azul
esperarei mil anos pela estrela.
Se ela não aparecer,
morrerei a esmo
na escuridão.
(Verão de 2000)
esperarei mil anos pela estrela.
Se ela não aparecer,
morrerei a esmo
na escuridão.
(Verão de 2000)
Rio que Ria
Pouco a pouco sabia
naquela tarde
que naquela margem
o rio que ia
era a parte de mim que ria
rumo ao derme
das portas que me prendiam
aquelas horas à fio
longe de meu abraço.
(Verão de 2000)
naquela tarde
que naquela margem
o rio que ia
era a parte de mim que ria
rumo ao derme
das portas que me prendiam
aquelas horas à fio
longe de meu abraço.
(Verão de 2000)
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Ágape
O meu impaciente amor transborda em torrentes. Tanto é o tempo que se foi e parece que foi ontem. Os sonhos me trouxeram seu filho. E sempre me trazem a ti. Mergulho num amor em correntes, precipitando-se desde o oriente ate o crepúsculo. Até minha alma se agita nos vales, abandonando a longevidade do mar e as tempestades da dor. Demasiado tempo sofri e estive em perspectiva. Demasiado tempo me possuiu a solidão.
Agora esqueci o silêncio.
Todo eu me tornei qual boca e murmúrio de um rio que salta de elevadas penhas: quero precipitar minhas palavras nos vales.
Corre o rio do meu amor para o insuperável! Como não encontraria um rio enfim o caminho do mar?
Sem dúvida a um lago em mim, criado por ti. Um lago solitário que se basta a si mesmo. Mas o meu rio de amor arrasta-o consigo para o mar.
Eu sigo novas sendas e encontro uma linguagem nova. Semelhante a todos os criadores. Cansei-me das lágrimas. O meu espírito não quer correr com solas gastas.
Toda a linguagem me torna amoroso. Ainda corre em meu rio, aquele velho amor rejuvenescido pelos sonhos. E acorda no mar do desespero sem o sal de lábios passados.
Já temos aprendido tanta coisa juntos!
A minha selvagem sabedoria emprenhou nos montes solitários.
A selvagem sabedoria afetiva agora corre louca pelo deserto árido, e procura sem cessar o branco céspede de vosso coração. No vosso amor desejaria depositar o mais caro que possuo. Há algum tempo carregava suas cinzas às montanhas.
Por tanto ainda te amo. Amo como gotas pesadas, que caem uma a uma da nuvem escura e turva suspensa sobre os homens. Anunciando o relâmpago próximo e desaparecendo como de soslaio.
Mesmo assim, minha alma é sossegada e luminosa.
Caminho para o meu fim. Sigo o meu caminho. E desta maneira será a minha marcha o seu fim.
Onde, finalmente, entoarei o meu cântico.
Agora esqueci o silêncio.
Todo eu me tornei qual boca e murmúrio de um rio que salta de elevadas penhas: quero precipitar minhas palavras nos vales.
Corre o rio do meu amor para o insuperável! Como não encontraria um rio enfim o caminho do mar?
Sem dúvida a um lago em mim, criado por ti. Um lago solitário que se basta a si mesmo. Mas o meu rio de amor arrasta-o consigo para o mar.
Eu sigo novas sendas e encontro uma linguagem nova. Semelhante a todos os criadores. Cansei-me das lágrimas. O meu espírito não quer correr com solas gastas.
Toda a linguagem me torna amoroso. Ainda corre em meu rio, aquele velho amor rejuvenescido pelos sonhos. E acorda no mar do desespero sem o sal de lábios passados.
Já temos aprendido tanta coisa juntos!
A minha selvagem sabedoria emprenhou nos montes solitários.
A selvagem sabedoria afetiva agora corre louca pelo deserto árido, e procura sem cessar o branco céspede de vosso coração. No vosso amor desejaria depositar o mais caro que possuo. Há algum tempo carregava suas cinzas às montanhas.
Por tanto ainda te amo. Amo como gotas pesadas, que caem uma a uma da nuvem escura e turva suspensa sobre os homens. Anunciando o relâmpago próximo e desaparecendo como de soslaio.
Mesmo assim, minha alma é sossegada e luminosa.
Caminho para o meu fim. Sigo o meu caminho. E desta maneira será a minha marcha o seu fim.
Onde, finalmente, entoarei o meu cântico.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Jander
É a onda quebrando,
é o tempo.
O pesacador e o vento.
A areia em movimento;
A lágrima e o mergulho.
Um amor pela metade.
Tudo que nos rodeia, nos vigia.
A pedra e o coqueiro.
O rio, o mar e o meio.
(Outono de 1999)
é o tempo.
O pesacador e o vento.
A areia em movimento;
A lágrima e o mergulho.
Um amor pela metade.
Tudo que nos rodeia, nos vigia.
A pedra e o coqueiro.
O rio, o mar e o meio.
(Outono de 1999)
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
A palavra fala
Cala a alma
Apazigua a dor
No âmago de quem ama.
Declama seus acordes balzaquianos;
como um tirano expurga os antigos sentimentos atuais.
Exorta-os com veemência
Mas eles lutam à sobrevivência,
Afloram contínuos.
Ferem a cama, umidecendo seus lençóis.
A palavra: falha.
Não mais encanta,nem levanta os risos joviais.
Não mais se enrruidece ao amor.
Empalidece na dor da palavra que cala: o ator.
(Verão de 1989)
Cala a alma
Apazigua a dor
No âmago de quem ama.
Declama seus acordes balzaquianos;
como um tirano expurga os antigos sentimentos atuais.
Exorta-os com veemência
Mas eles lutam à sobrevivência,
Afloram contínuos.
Ferem a cama, umidecendo seus lençóis.
A palavra: falha.
Não mais encanta,nem levanta os risos joviais.
Não mais se enrruidece ao amor.
Empalidece na dor da palavra que cala: o ator.
(Verão de 1989)
sábado, 15 de maio de 2010
Deserto e ágil
Queres então voltar pra teu deserto?
Não sou ágil, tenho de me esperar a mim mesmo. Fica cada vez mais tarde até que a água do poço de meu eu suba até a luz e, muitas vezes tenho que passar fome por mais tempo que minha paciência suporta. É por isso que vou para a solidão: para nao beber das sisternas que estão dispostas para todos. No meio da multidão vivo como a multidão e não penso como penso; depois de certo tempo, tenho sempre a impressão de que querem me exilar em mim mesmo e roubar-me a alma; passo a me tornar mau para todos e a temer a todos. Tenho então a necessidade do deserto para voltar a ser bom.
Não sou ágil, tenho de me esperar a mim mesmo. Fica cada vez mais tarde até que a água do poço de meu eu suba até a luz e, muitas vezes tenho que passar fome por mais tempo que minha paciência suporta. É por isso que vou para a solidão: para nao beber das sisternas que estão dispostas para todos. No meio da multidão vivo como a multidão e não penso como penso; depois de certo tempo, tenho sempre a impressão de que querem me exilar em mim mesmo e roubar-me a alma; passo a me tornar mau para todos e a temer a todos. Tenho então a necessidade do deserto para voltar a ser bom.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Teuth
Os poucos que conseguem
muito sabem o que é a dor
das montanhas ao sudoeste
que emanam sonhos inefáveis.
muito sabem o que é a dor
das montanhas ao sudoeste
que emanam sonhos inefáveis.
Beleza
“A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez, que não se vale de assaltos tempestuosos e embriagantes (uma beleza assim desperta facilmente o nojo), mas que lentamente se infiltra, que levamos conosco quase sem perceber e deparamos novamente num sonho, e que afinal, após ter longamente ocupado um lugar modesto em nosso coração, se apodera completamente de nós, enchendo-nos os olhos de lágrimas e o coração de ânsias."(Nietzsche)
A beleza é muito mais espírito que paixão.
O caminho é a beleza inebriante que lentamente conquista o espírito e sem paixões devastadoras, vai preenchendo o ser de doçura, ate cativá-lo profundamente.
A beleza arrebatadora, que com seu fogo, consome a alma, também lhe tira a paz do espírito.
A beleza é muito mais espírito que paixão.
O caminho é a beleza inebriante que lentamente conquista o espírito e sem paixões devastadoras, vai preenchendo o ser de doçura, ate cativá-lo profundamente.
A beleza arrebatadora, que com seu fogo, consome a alma, também lhe tira a paz do espírito.
Eu sou o sol,
Eu sou o caminho,
Eu sou o núcleo,
A força de todo esse sistema planetário.
Eu sou o sol,
Sou luz que emana da inteligência, da bondade e do amor.
E que às vezes a impureza dos espíritos me dificultam,
Criando uma densa camada de neblina como no amanhecer de um dia frio e triste.
Às vezes os homens me decepcionam, e às vezes até me ofendem.
E porque me ofendem ?
Por acaso fui eu quem destruiu suas ilusões ?
Porque me mágoas destruindo meu jardim ?
Por acaso minhas flores serão mais belas dos que as que você poderá cultivar se quiser ?
Porque você quer destruir as minhas árvores ?
Por acaso não permito que você desfrute de suas sombras e seus frutos ?
Porque você quer destruir os sentimentos e a pureza das minhas crianças ?
Será pelo fato de ser pesado o seu fardo nesta vida ?
Ou será uma sórdida vingança por terem destruido sua pureza e seus sentimentos ?
Porque você quer destruir a fé que guia os meus irmãos ?
Não será o seu deus o mesmo que o meu ?
Porque você quer extinguir os meus pássaros ?
Por acaso lhe foi negado um dia poder voar ?
Não, nada lhê foi negado. Tudo lhe foi dado.
Não destrua suas próprias ilusões,
E plante flores, árvores,
Para que seus amigos sintam o aroma,
E descansem a sua sombra.
Ame seus filhos como foi amado.
Toque com a ponta dos dedos o seu deus e vôe,
Vôe bem alto, o mais alto que puder,
Usando sua força criativa,
Porque das forças criativas nasce o nosso saber,
Do nosso saber nasse o nosso prazer.
Meu prazer é ver crianças sorrindo,
Meu prazer é ver mãos se abrindo.
E é por isso que eu faço força pra acreditar:
Que o homem um dia vai evoluir pra poder amar
E amar muito mais pra poder evoluir...
Eu sou o caminho,
Eu sou o núcleo,
A força de todo esse sistema planetário.
Eu sou o sol,
Sou luz que emana da inteligência, da bondade e do amor.
E que às vezes a impureza dos espíritos me dificultam,
Criando uma densa camada de neblina como no amanhecer de um dia frio e triste.
Às vezes os homens me decepcionam, e às vezes até me ofendem.
E porque me ofendem ?
Por acaso fui eu quem destruiu suas ilusões ?
Porque me mágoas destruindo meu jardim ?
Por acaso minhas flores serão mais belas dos que as que você poderá cultivar se quiser ?
Porque você quer destruir as minhas árvores ?
Por acaso não permito que você desfrute de suas sombras e seus frutos ?
Porque você quer destruir os sentimentos e a pureza das minhas crianças ?
Será pelo fato de ser pesado o seu fardo nesta vida ?
Ou será uma sórdida vingança por terem destruido sua pureza e seus sentimentos ?
Porque você quer destruir a fé que guia os meus irmãos ?
Não será o seu deus o mesmo que o meu ?
Porque você quer extinguir os meus pássaros ?
Por acaso lhe foi negado um dia poder voar ?
Não, nada lhê foi negado. Tudo lhe foi dado.
Não destrua suas próprias ilusões,
E plante flores, árvores,
Para que seus amigos sintam o aroma,
E descansem a sua sombra.
Ame seus filhos como foi amado.
Toque com a ponta dos dedos o seu deus e vôe,
Vôe bem alto, o mais alto que puder,
Usando sua força criativa,
Porque das forças criativas nasce o nosso saber,
Do nosso saber nasse o nosso prazer.
Meu prazer é ver crianças sorrindo,
Meu prazer é ver mãos se abrindo.
E é por isso que eu faço força pra acreditar:
Que o homem um dia vai evoluir pra poder amar
E amar muito mais pra poder evoluir...
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Corte
Eu preciso me libertar
Desse aperto guardado no peito
Eu preciso de um pesadelo
Que me mostre o caminho do mar
Que me ponha as portas abertas
Para o medo me libertar
Eu só quero sair dessas cores
Da incerteza de velhos amores
Desse quadro que me aprisiona
Da cantiga que desfaz meu sono
Eu so quero um reio de sol
Um solfejo em mí bemol
As verdades de meus ancestrais
Os sorrisos de todos os pais
Da beleza, da dança e da flor
Da clareza do ancião
Do riacho e de sua conversa
Da montanha amante do mar
As perguntas que não tenho mais
Me devoram em busca de paz
Das estórias de lágrima e anzol
Do sereno lençol de cambraia
Do abraço da beira da praia
De meu forte ja dilaçerado
Das intrigas sem cores anis
Dos embróglios de meus alfarrábios
E beijar os meus próprios lábios
Ver cor, ver vidas
Ver som, ver idas
Viver as vindas sem corte e dor
Coração de cristal
De pétalas, de orvalho.
Desse aperto guardado no peito
Eu preciso de um pesadelo
Que me mostre o caminho do mar
Que me ponha as portas abertas
Para o medo me libertar
Eu só quero sair dessas cores
Da incerteza de velhos amores
Desse quadro que me aprisiona
Da cantiga que desfaz meu sono
Eu so quero um reio de sol
Um solfejo em mí bemol
As verdades de meus ancestrais
Os sorrisos de todos os pais
Da beleza, da dança e da flor
Da clareza do ancião
Do riacho e de sua conversa
Da montanha amante do mar
As perguntas que não tenho mais
Me devoram em busca de paz
Das estórias de lágrima e anzol
Do sereno lençol de cambraia
Do abraço da beira da praia
De meu forte ja dilaçerado
Das intrigas sem cores anis
Dos embróglios de meus alfarrábios
E beijar os meus próprios lábios
Ver cor, ver vidas
Ver som, ver idas
Viver as vindas sem corte e dor
Coração de cristal
De pétalas, de orvalho.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Grande e pequeno
A única forma de ter a grandiosidade e a inteireza é sendo realmente quem tu és.
Sem fórmulas sensacionais.
O vazio existencial que assola o homem pseudo-moderno acontece, entre outras coisas, pela necessidade de realizar, ao longo da vivência social, coisas que fundamentalmente não fazem parte de seu íntimo. Dessa forma, acabamos nos distanciando mais ainda de nós mesmos.
No campo da estética e da realização artística, a originalidade se confunde com a busca do novo ou do comercial. Quando na verdade ambos fazem parte do "ultrapassado" no sentido mais sublime.
A busca de si mesmo será sempre o encontro com a originalidade. Mesmo que saibamos que este "si mesmo" esta em constante transformação e reconstrução diária. Pois, somos novos a cada dia. Juntando os retalhos de nossa mnemósine interior e nos fazendo sempre algo diferente do que éramos ontem. Mas, antes de tudo, sabendo olhar para o próprio umbigo e podendo "dançar sem medo do ridículo."
Sem fórmulas sensacionais.
O vazio existencial que assola o homem pseudo-moderno acontece, entre outras coisas, pela necessidade de realizar, ao longo da vivência social, coisas que fundamentalmente não fazem parte de seu íntimo. Dessa forma, acabamos nos distanciando mais ainda de nós mesmos.
No campo da estética e da realização artística, a originalidade se confunde com a busca do novo ou do comercial. Quando na verdade ambos fazem parte do "ultrapassado" no sentido mais sublime.
A busca de si mesmo será sempre o encontro com a originalidade. Mesmo que saibamos que este "si mesmo" esta em constante transformação e reconstrução diária. Pois, somos novos a cada dia. Juntando os retalhos de nossa mnemósine interior e nos fazendo sempre algo diferente do que éramos ontem. Mas, antes de tudo, sabendo olhar para o próprio umbigo e podendo "dançar sem medo do ridículo."
segunda-feira, 1 de março de 2010
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